VEGANA CHATA, RADICAL E ELITISTA! PARTE 3!

Elitista?

richdogs

Como sou uma canceriana sagitariana vida loca primeiro escolhi o titulo dessa série de posts antes de escreve-los. Pois é, aí que agora tenho que escrever e nem lembro mais o que eu estava pensando meses atrás quando criei o primeiro texto :/

Acho incrível que quando você entra num processo maluco de evolução as mudanças e aprendizados acontecem muito rápido. Então muitas coisas que eu pensava meses atrás graças a enorme bombardeio de textos, vídeos, livros e pessoas que tenho conhecido agora já penso diferente.

Tudo isso pra falar que eu acho que não sou a melhor pessoa para falar sobre veganismo e elitismo. Eu aqui no conforto do meu privilégio branco de bairro descolado de São Paulo tomo sorvete na Stuzzi por 16 reais, como pizza vegana de 50 e de vez em quando ainda mando um queijinho da NoMoo por 30 golpinhos. Obrigada Senhor! Mas sabemos que essa não é a realidade da maioria das pessoas nesse país, infelizmentchi.

Então quando rola essa discussão de veganismo elitista duas posturas opostas me incomodam:

  1. O vegano rico que fala que ser vegano é muito barato;
  2. O carnista rico que fala que ser vegano é muito caro.

Percebe que do conforto do nosso privilegio fica esquisito falar o que é caro o que é barato pra quem vive de salário mínimo batalhando pra comprar QUALQUER comida?

O que a gente pode E DEVE fazer é mostrar que a base da nossa alimentação é feita de alimentos simples, básicos, frescos. Arroz, feijão, legumes, frutas. Além de mostrar que é possível obter todos os nutrientes necessários nessa alimentação. Do jeito que nossa sociedade foi construída conseguir comprar carne era símbolo de status, de riqueza. Com o tempo o povo passou a ter acesso a carne, imagina o tamanho do orgulho que essas famílias sentiram? E agora o fato de negar a carne e poder viver sem ela é que passou a ser luxo dos que tem grana, saca?

O que a gente tem que reconhecer é que alimentos industrializados/prontos veganos ainda são caros e difíceis de encontrar dependendo de onde você mora. Mas a ideia é mostrar que não precisamos deles para sobreviver.

As vezes acho que o povo se faz de doido e esquece que tem gente que se alimenta do combo coxinha + suco na rua todos os dias por 3 reais! É claro que isso é uma merda também pra saúde da pessoa e que seria melhor ela comer uma fruta. Mas entende que o buraco é muuuuito mais embaixo? É social, é cultural, é uma caralha do capitalismo!

Pra cada vez que um vegano abre a boca pra falar que ser vegano não é caro um empreendedor abre um negócio na Vila Madalena pra vender pedaço de torta por 16 golpes! Pode contar, é estatística pura, haha!

Veja, não to achando ruim, inclusive adoro, inclusive me chama pra degustar, inclusive meu telefone é 11 96635…! Mas me dói no coração não ver também um bolinho daqueles caseirinhos que o bolo inteiro custa 10 reais em cada esquina. Me dói não ver a coxinha de legumes por 3 reais, e assim vai! Coisas básicas que sabemos que dá pra ser barato!

Acho importante trazer essa discussão pra comunidade vegana pra gente refletir sobre o nosso lugar na sociedade e bolar estratégias pro movimento crescer. Claro, nada disso serve como justificativa pra carnista (juro que toda vez que digito carnista o corretor traduz pra carniça haha) com grana vir fazer token de pobre pra dizer que o veganismo é uma falácia porque é elitista.

Meu amigo se o veganismo é elitista e você é elite então tá fazendo o que aí que não virou vegano ainda?

Gasta 200 reais no rodízio japonés, 30 reais no potinho da Haagen Dazs e quer pagar de fodido pra moi? Não cola, tenta outra desculpa!

Então eu não posso nem quero concluir nada com essa discussão, mas quero trazer esse assunto pra jogo. Acredito muito na interseccionalidade dos movimentos, e pra mim não faz nenhum sentido falar de veganismo sem falar de classe, sem falar de gênero, sem falar de raça.

Me incomoda muito ser uma representante do veganismo nas redes sociais porque hoje ele só tem um perfil: mulheres brancas cis ricas e na sua maioria magras finesszzzzz. Fica muito difícil levantar a bandeira de que o veganismo é pra todo mundo sendo que não há representatividade nas mídias sociais e no ativismo.

Aliás queria propor pra vocês que compartilhem, divulguem o trabalho de manas pretas, gordas, trans, de periferia que falem sobre veganismo pra gente sair dessa bolha de um padrão só!

Conhece algum perfil assim? Conta pra mim! Um dia um vídeo me deu uma porrada bem no meio da minha fuça. Era sobre racismo, e a mina falava que o branco mesmo que não se considere racista, que não desrespeite e nem discrimine nenhum preto se a gente não estiver fazendo NADA pra mudar essa situação a gente tá compactuando pro sistema continuar racista. E sabe, ela tem TODAAA razão.

Eu to aqui gozando dos meus privilégios de ser branca, os preto tão morrendo e eu não to fazendo PORCARIA NENHUMA pra mudar isso? Sou uma bela duma cúmplice escrota mesmo! Então acredito que seja nossa obrigação tentar pegar nosso espaço confortável e dar pra quem é invisível nessa nossa sociedade injusta.

Ah, e pedi dicas no meu insta sobre perfis que fogem dessa bolha loca e já tenho alguma coisa aqui:

@thallitaxavier

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A Thallita é maravilhosa e quando pedi dicas ela foi a mais lembrada por todas. Não é a toa, o texto que ela escreveu Como é Ser Vegana e Favelada bombou nos grupos de Facebook e ela foi até ao Encontro da Rede Grobo representar lindamente o veganismo! Um sonho? Andar com a Thalita no recreio ❤

Se você ainda não leu esse texto eu não sei o que você está fazendo da sua vida:

http://simsouveganaefeministapreta.blogspot.com.br/2017/08/como-e-ser-vegana-e-favelada.html

@veganapobre

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Um casal muito amorzíneo mostrando que dá pra ser vegan sem pirar nos ingredientes caros e restaurantes de rico!

Bárbara e Kassandra compartilham receitas e dicas do dia-a-dia no Instagram e também no Youtube!

@natyvegan

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O que falar dessa vegan baby?

A bichinha é linda, tem 15 anos, vegana e ainda mega engraçada. Me cago de rir com os vídeos dela. Rainhaaaa né mores? Eu com 15 anos tarra comendo terra e dançando Ragatanga! Quédize, vai ser um mulherão da porra!

@edynjacks

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Queria só dar dicas do Brazeel, mas não pude deixar de falar dessa maravilhosa. Não seguia ela, foi dica de alguma seguidora ❤ Mas já foi tiro atrás de tiro com essas fotos. Me ganhou! Sou louca pra mostrar que veganismo não tem nada a ver como corpos fitness e sarados! Quer ser vegana e ser malhada, ótimo, é super possível! Mas uma coisa não tem nada a ver com a outra. Essa mulé é linda, poderosa e me representa!

@jasmine_c_leya

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Já que abri porteira pros perfis gringos lembrei da Jasmine que conheci através do trailer que assisti do documentário The Invisible Vegan. 

Minha cabeça explodiu só de ver o trailer, imagina quando sair o filme inteiro. O documentário explora a origem dos padrões alimentares da população negra dos EUA, extremamente prejudiciais à saúde, e rompe com o mito de que o veganismo é um privilégio que não faz parte da realidade dos negros.

Vocês podem ver o trailer aqui:

http://theinvisiblevegan.com

Ah, por último quero deixar um vídeo da musa rainha diva. Nataly Neri é uma youtuber do canal Afros e Afins que fala sobre feminismo, empoderamento, dicas de beleza negra e olha que maravilha, ela é vegetariana. Ela AINDA não levanta a bandeira do veganismo, mas pelo entendimento que senti nela nesse vídeo sei que é questão de tempo. Sou fã de carteirinha, vídeo mais do que necessário:

 

Tem mais dicas? Me escreve aí! ❤

 

 

 

 

 

 

 

4 comentários sobre “VEGANA CHATA, RADICAL E ELITISTA! PARTE 3!

  1. Bruna disse:

    Amiga, adorei seu post. O post da Thallita que voce citou me fez refletir muitas questões. Acho que o veganismo é disseminado pra classe média. Acredito que sua mensagem deveria ser também direcionada para outras classes. E sim, comida de verdade realmente é mais barata e como voce citou existem muitas outras questões a serem levadas em conta: uma pessoa que trabalha o dia todo será que tem tempo pra chegar em casa cansada e cozinhar? Digo isso pois são questões que levantei na pagina dia desses e que me trouxeram bastante reflexão. Cabe a nós continuar ajudando a disseminar, a novas marcas entrarem no mercado para que a cada dia estejam acessiveis em cada esquina, em cada cidade pequena.
    Só acho que demorou pra senhora fazer um canal no youtube pra falar sobre esses assuntos, hein?

    Beijo!

    Curtir

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